Zoológicos

O primeiro Jardim Zoológico foi aberto em 1752 pelo Imperador Francisco I, na cidade de Viena na Áustria, chamado Zoológico de Schonbrunn. Conta-se a história que o Imperador levou um grupo de amigos para conhecer sua coleção particular de animais. No ano de 1759 este jardim foi aberto ao público para visitação gratuita. A origem de agrupar animais em cativeiro remonta há mais de 25.000 anos. Acredita-se que os pombos tenham sidos os primeiros animais a viverem em cativeiro, no Iraque. No Egito, há 4000 anos os faraós também possuíam o costume de manter coleções particulares de animais em cativeiro. E assim, os animais começaram a ser usados como forma de entretenimento e distração pelos humanos.

No Brasil,  a primeira exposição pública de animais na história, aconteceu na inauguração do Museu Emilio Goeldi, na cidade de Bélem,  que abriu simultaneamente anexo um jardim com uma coleção que somava 146 animais, no ano de 1882. Em 1886, foi a vez da região Sul inaugurar o Passeio Público na cidade de Curitiba, onde até hoje abriga muitos pássaros e espécies da região.

A situação dos animais que vivem nos zoológicos é extremamente vulnerável pela inconstância das atividades administrativas e políticas da região. Os zoológicos são administrados pelas prefeituras e muitas vezes a verba destinadas para a manutenção de suas atividades e alimentação não atende as necessidades mínimas dos animais que abrigam, o espaço restrito em que vivem também é uma constante, sem estímulos de elementos naturais para distração, a depressão e a apatia são muitas vezes identificados nas atitudes rotineiras completamente diversas das observadas na natureza.

No Brasil,  os Zoológicos são licenciados e fiscalizados pelo IBAMA, para garantir padrões mínimos de sobrevivência aos animais. Em 2001, o IBAMA começou um programa nacional de vistoria chamado “Zoo Legal”. Muitos zoológicos foram fechados, e os animais transferidos para locais mais adequados. Em 2008, a Instrução Normativa 169/2008 classificou os zoológicos em três categorias: A, B e C. A classificação depende de fatores, como, a qualidade de suas instalações, programas de manutenção, área para preparação de alimentação adequada, serviço permanente de tratadores com treinamento atualizado para melhor atender os animais, programas de educação ambiental, planos de manejo de espécies ameaçadas de extinção, veterinários para atender os animais, sala de necropsia, conservação de áreas da flora nativa, arquivo de documentos de procedência dos animais, arquivo dos registros médicos-veterinários e biológicos dos animais, entre muitos outros itens que qualificam o zoológico de acordo com os requisitos analisados.

Atualmente, novas políticas estão sendo implementadas na busca do bem-estar aos animais que vivem em zoológicos, como, espaços novos que são projetados para recriar o habitat natural, que além de favorecer o bem-estar animal pode ser usado para compreender melhor os costumes naturais dos mesmos, a comida é oculta para estimular o animal a procura-la, como fariam se estivessem na natureza, a temperatura e a umidade do ar são controladas. Nesta nova política administrativa, os animais são os protagonistas para as melhorias, com ações efetivas para transformar jardins zoológicos em verdadeiros Parques Biológicos, como são chamados estes parques que se preocupam com o desenvolvimento psicológico das espécies, e atuam diretamente na diminuição das diferenças entre o habitat natural e o espaço destinado a cada espécie, agregando melhorias significativas aos animais. A intenção de manter animais em cativeiro agora é diferente da ideia inicial de agrupar animais para apreciação, a evolução das atividades englobam,  a educação ambiental, a qual deve fazer parte das atividades desenvolvidas, a pesquisa científica, para conhecimento de costumes das espécies, a preservação e o manejo de espécies ameaçadas de extinção. Um Parque Biológico procura manter atitudes dignas com os animais que abriga e ambienta-los com a natureza da melhor forma possível afim de deixa-los confortáveis no espaço disponível, interagindo a sociedade nas questões de conservação ambiental, e mostrando a natureza como forma de aprendizado, da seguinte maneira:

  • Mostrar a natureza próxima da região, sem fazer porém uma reserva natural;
  • Mostrar a fauna, sem fazer porém um jardim zoológico; 
  • Mostrar a flora selvagem, sem fazer porém um jardim botânico;
  • Preservar e mostrar o patrimônio cultural, sem fazer porém um museu ou eco-museu.

A problemática dos zoológicos é uma discussão de longa data que reúne profissionais da área que tentam ano após ano melhorar a qualidade de vida dos animais em recinto fechado. A interação da sociedade nestas questões é o diferencial na melhoria das condições  dos zoológicos, debater junto aos administradores para a construção de uma nova realidade. Podemos seguir o exemplo da população vienense que em 1921, após a Iª Guerra Mundial, quando o país estava em total recessão, e o jardim zoológico da cidade a beira de um colapso, com a morte eminente dos animais por fome, uniram se, e realizaram uma campanha para angariar fundos que trouxe dinheiro suficiente para garantir a sobrevivência do Zoo. Nesta época nem água os animais tinham disponível. Somente a crítica não leva a soluções positivas. A sociedade deve entender que os animais abrigados em um jardim zoológico são responsabilidade de todos, e por isso, a construção conjunta com o poder público é o melhor caminho para o bem estar dos animais. 

Referências:

http://www.schoenbrunn.at/en/things-to-know/gardens/tour-through-the-park/schoenbrunn-zoo.html

http://www.waza.org/en/site/zoos-aquariums