Aquários

Os animais marinhos, como os golfinhos, baleias  e polvos, estão entre os animais mais inteligentes na natureza depois dos primatas. Cientistas que estudam há décadas os golfinhos  afirmam que eles compreendem a estrutura de frases e regras de semântica. Os polvos, constituem o grupo de elite dos moluscos, são providos de cérebros notavelmente desenvolvidos e possuem habilidades que a cada dia surpreendem mais os cientistas, como raciocínio e a grande capacidade de memorização. As baleias são animais extremamente sociáveis, com uma grande capacidade de memória e uma linguagem sofisticada de comunicação.

Esses animais com capacidades cognitivas extremamente desenvolvidas, são capturados e mantidos em tanques artificiais pela indústria do entretenimento. As pessoas visitam grandes aquários para ver um animal todo desfigurado por viver em cativeiro, fazendo coisas que naturalmente não fazem na natureza e acham isto incrível. Hoje em dia é tão fácil apreciar animais na natureza, sem interferir em seus hábitos e em sua vida, podendo admirar e aprender com suas atitudes, e por fim, ter uma lembrança inesquecível. Os aquários deveriam funcionar como centro de pesquisa, educação e preservação, mas raros são os que cumprem seu papel. Milhares de peixes são retirados de seu habitat todos os anos. Em torno de 70% deles são provenientes de recifes e corais, e morrem no primeiro ano de clausura devido ao estresse e doenças desencadeadas pelo transporte. Milhares de pessoas assistem todos os anos, a apresentações de espetáculos de mamíferos marinhos adestrados, sem ter a mínima noção que tipo de tratamento e condicionamento é infringido a esses animais para atuarem nestas exibições diárias.

As orcas, por exemplo atravessam milhares de quilômetros regularmente em busca de alimento, para proteger seus filhotes, brincar e acasalar. Nessas viagens encontram desafios e ambientes variados para interagir. Em cativeiro, o tanque em que vivem é menor que uma banheira para nós, não oferece nenhum estímulo, o estresse e a apatia é uma constante em suas vidas, não interagem com outros animais. Livres nos oceanos vivem até 100 anos as fêmeas e 70 anos os machos, pela vida entediante e solitária dos aquários vivem cerca de 10 anos em cativeiro. Os golfinhos são treinados da mesma maneira. Nos oceanos vivem cerca de 25 anos, quando capturados não passam de 6 anos, aproximadamente 50% dos golfinhos morrem nos primeiros 2 anos de cativeiro, pois vivem em condições de estresse constante.

Milhões de dólares são investidos em tanques e aquários artificiais, ao redor do mundo. Este valor poderia ser investido na proteção dos mares. A cada ano a pesca selvagem aumenta. O agrobusiness incrementou suas técnicas da pesca predatória, a qual é realizada com a utilização de dois navios e uma rede acoplada no meio, onde tudo que tem pela frente é arrastado. Alguns animais como as tartarugas, que necessitam respirar, morrem afogados nas redes de pesca, pois não conseguem se desvencilhar e chegar a superfície. Cerca de 25% do que se captura nas redes de pesca é considerado lixo pela indústria, e é descartado. Os tubarões também sofrem com a pesca indiscriminada, chamada baiting, onde o tubarão é capturado, cortam sua barbatana, e o atiram novamente ao mar para morrer lenta e cruelmente sem a possibilidade de nadar. O valor da barbatana aumentou muito, com a crescente demanda de mercados asiáticos, que colocou em ameaça de extinção animais que estão nos mares há mais de 400 milhões de anos. No sul do Brasil, no porto de Itajaí em Santa Catarina, desembarcam toneladas de barbatanas de tubarão azul, o preferido pelos pescadores, pois é facilmente capturado e possui barbatanas enormes.

O Brasil possui mais de 8 mil quilômetros de praias belíssimas, ao invés de visitar um aquário você pode conhecer uma nova praia, e observar a vida marinha em sua total plenitude, no mar. Se tiver a oportunidade de mergulhar, o fundo do mar é simplesmente lindo e cheio de vida latente. Pense bem antes de comprar um ingresso para assistir um espetáculo onde o direito de viver de alguém foi subtraído, ninguém perguntou para uma baleia orca se ela preferia fazer apresentações em um aquário ao invés de viver livre pelos oceanos.