Suínos

O Sus scrofa domesticus, comumente conhecido como porco, encabeça a lista dos 5 animais mais inteligentes do mundo, excluindo os primatas. Esta lista é composta pelo polvo, o corvo, os golfinhos e os elefantes, por ordem de inteligência. O porco é oriundo do javali eurasico e acredita que tenha sido domesticado entre 10 e 12 mil anos atrás, juntamente com o cão. Nesta época, começaram a inserir o porco em sua dieta pelo sabor da carne ser superior ao cão, o qual consumiam primeiramente. O porco é uma animal com grandes semelhanças anatômicas com os humanos, no trato digestivo, nos dentes, no fígado, pulmão, cérebro e especialmente no coração. Semelhanças sociais também são verificadas, por exemplo o porco estabelece latrinas para defecar, isto pode ser verificado até mesmo em criações comerciais, onde defecam longe do local onde se alimentam, formam comunidades de até 30 indivíduos com um líder, brincam muito entre si e se divertem com atitudes coletivas, por isso necessitam de espaço para externar suas características sociais. Sua inteligência é extremamente desenvolvida e foi comprovada por meio de pesquisas científicas que esses animais conseguem se identificar no espelho (Broom et at., 2009) e (Held et al., 2000) foi comprovado sua capacidade cognitiva, memorização e a recordação de lembranças. Seus membros físicos não são tão especializados como sua inteligência, por isso usam o focinho para procurar comida e farejar perigo. Sente-se bem em temperaturas entre 16º e 20º C, acima de 25ºC o calor é insuportável, devido a isso usam a lama para baixar a temperatura corporal, como os elefantes. Não possuem glândulas sudoríparas. Enfim, os porcos são seres higiênicos, sociáveis e extremamente inteligentes, mas não são tratados com dignidade. Esses animais sofrem com o especismo, e com a falta de ética na prática da criação comercial a que são destinados.

As porcas quando estão prontas para parir são direcionadas para maternidades onde ficam enlatadas em barras de aço e não podem ao menos se mexer, mudar de posição ou levantar-se. O incomodo que sofrem com as dores do parto é indescritível, ficam urrando a maior parte do tempo. Essa prática acontece para não sufocar os filhotes após o nascimento, são consideradas máquinas de produzir. Após o nascimento os filhotes são desmamados entre 2 a 3 semanas. Normalmente em condições normais o desmame acontece entre 12 a 16 semanas de vida.

Aos 72 dias são encaminhados para o engorde em um espaço de aproximadamente 10m2 para 14 indivíduos, em um pavimento de grades que facilita a limpeza. O desmame precoce e o diminuto espaço para viver, o qual restringe sua liberdade de movimento, os leva ao stress severo. Com essa frustração de vida começaram a comer o rabo do indivíduo mais próximo, como única forma de externar seus sentimentos. Para evitar isso, criadores implementaram a prática do corte dos rabos de todos os porcos, sem anestesia ou qualquer tipo de técnica para diminuição da dor. Após o engorde são encaminhados ao matadouro em caminhões superlotados, ao chegar ao seu destino, os porcos sentem o cheiro do sangue, e desesperados tentam fugir do inevitável.

Certa vez, na Escócia, um porco de 115 quilos fugiu da morte ao escalar e pular um muro de 1,80 metro de altura que cercava o abatedouro. A polícia local conseguiu captura-lo depois de 2 dias. O animal foi poupado e adotado por um fazendeiro que se sensibilizou com a atitude do porco. Os porcos são seres sencientes e merecem o nosso respeito por uma vida mais digna. Por lucros cada vez mais expressivos a indústria do agrobusiness no Brasil não investi na melhoria da qualidade de vida destes animais que são criados exclusivamente para o consumo. Em países europeus, a força da opinião pública fez que a indústria introduzisse práticas de compaixão no mundo da pecuária: espaço compatível e piso adequado para desenvolver suas características naturais. A maioria dos consumidores ignora essas práticas cruéis, que são cometidos pela indústria de alimentos com estes animais antes do abate. O conhecimento leva a discussões, por isso a indústria investe em propaganda e marketing para não divulgar essas práticas. A conhecimento deste tipo de atividade poderá levar a diminuição do sofrimento destes animais que tem o direito elementar ao bem estar da vida!


 

Referências: Watson, Lyall. The Whole Hog: Exploring the extraordinary potential of pigs. 2004.

Broom, Donald. Animal Behaviour. 2009

Held S. Mendl. Social tactics of pigs in a competitive foraging tasks. 2000