Bovinos

Após a Segunda Guerra Mundial muitas coisas mudaram no cenário econômico mundial. A demanda por alimentos cresceu, a população também cresceu e começou a consumir mais alimentos e calorias. As refeições rápidas se difundiram no mercado, especialmente entre a população americana, o maior consumidor de alimentos rápidos, e as companhias começaram a requisitar a comprar carne de gado de grandes fornecedores, para baratear os custos. Assim, produtores de pequeno porte sucumbiram economicamente e foram adquiridos por grandes empresas para formar as grandes e modernas fazendas do "agronegócio". As plácidas fazendas com vacas, carneiros e porcos pastando livremente deram lugar a verdadeiras fábricas de carne, chamadas de fazendas-fábricas. Os animais são tratados como matéria prima de uma linha de montagem no setor agropecuário. O objetivo é produzir mais alimentos em um curto espaço de tempo. Todos os processos foram padronizados e automatizados, eliminando a mão de obra, para baratear custos da produção. Os processos começam com a superalimentação para os animais engordarem mais rápido e produzir mais carne e leite em um curto espaço de tempo. Muitas vezes este engorde se dá com grãos com alta dosagem de proteína, rações especiais, que não são as indicadas para esta espécie, por exemplo, a epidemia que afetou os bovinos na década de 1980, a encefalopatia espongiforme bovina, vulgarmente conhecida como a doença da "vaca louca"  surgiu na Inglaterra, quando produtores alimentaram bovinos com farinha de carne e osso para acelerar o processo de engorde. Assim, transformaram animais herbívoros "em seres carnívoros comedores de indivíduos da mesma espécie". Esta é uma doença neural degenerativa que transforma o cérebro em uma esponja, causando ao animal diversas alterações no estado mental, como, nervosismo, apreensão, agressividade, falta de coordenação dos membros, e incapacidade de levantar. No decorrer de 2 a 3 semanas os animais precisam ser sacrificados. A doença é fatal e transmissível ao homem.

As condições em que os animais para consumo vivem é questionável. Os animais são confinados em locais metálicos sem janelas, marcados a ferro, presos em cordas para ficarem imóveis, castrados sem anestesia, eletrocutados, forçados a ingerir hormônios e antibióticos para crescerem mais rápido, transportados em caminhões apertados que carregam mais animais que o permitido, para diminuir custos, passam horas sem água e ficam sobre os próprios excrementos até finalmente serem abatidos sem dó. Estes animais de consumo, sentem as mesmas coisas que os outros animais, medo, dor, ansiedade, desespero, solidão, e por isso merecem um vida com dignidade, mesmo que sejam criados para o consumo humano. As situação desses animais exige um olhar mais direcionado para a melhoria do bem-estar da vida que possam usufruir durante o período que se preparam para servir de alimento.

  

Bezerros

Algum tempo atrás, nas fazendas-fábricas bezerros nascidos de vacas leiterias, não serviam para nada. Eram descartados e mortos assim que nasciam. Com o passar do tempo a indústria do agronegócio descobriu, que a carne destes bezerros era macia e pálida. Então verificaram que a carne de bezerro era diferenciada, porque o animal tinha um baixo teor de ferro no sangue, antes de começar a se alimentar com o capim. Assim iniciou-se uma nova modalidade de produção de carne, a vitela, conhecida nos restaurantes como baby beef.

Os animais que são criados para este fim, usufruem de pouco tempo ao lado das mães, após o nascimento. Em poucos dias de vida são separados da presença materna, e trancados em um pequeno espaço que impossibilita seus movimentos mais simples, como deitar ou se esticar, não tomam sol, não pastam e não bebem leite, são alimentados com líquido enriquecido para manter baixos os níveis de ferro. Toda a construção da baia é de madeira para o animal não lamber o ferro e absorver o nutriente em seu organismo. O animal fica tão ávido por ingerir ferro que supera a repugnância natural e lambe o piso encharcado com a própria urina. Para os animais crescerem mais depressa devem ingerir o máximo de alimento e gastar o mínimo possível de calorias. Os produtores os deixam sem água para se alimentarem mais do líquido enriquecido com gordura e leite em pó. Isso os faz engordar em média 800 gramas/dia. O animal é confinado de uma maneira que não possa se movimentar, nem andar e nem se virar, para não queimar calorias tão necessárias para o engorde. Os vitelos sofrem por nada terem para fazer, são carentes de afeto, de atividade e do estímulo que sua natureza requer, são privados do contato visual, pois os produtores os deixam no escuro a maior parte do dia. Sua vida é isolada, faminta e infeliz. Suas únicas expressões naturais permitidas são ranger os dentes, abanar a cauda e oscilar a língua. Com uma dieta restrita de ferro possuem diarréia crônica, vivem anêmicos até serem mortos antes de completar 1 ano. Este é o processo doloroso de produção da vitela que os bezerros sofrem em seu curto espaço de vida.

É preciso impedir as condições que suprimam as necessidades naturais instintivas e comportamentais característicos de cada espécie. É cruel restringir um animal durante grande parte de sua vida do seu direito de locomoção, de se alimentar e externar suas emoções em uma organização social, enfim, ser feliz, mesmo que seja em um curto espaço de tempo. Devemos analisar mais amiúde as condições das padronizações dos processos que a indústria do agronegócio infringi aos animais.

 

Referências:

SINGER, PETER. Libertação Animal: o clássico definitivo sobre o movimento pelos direitos dos animais. São Paulo, 2013. Editora WmfMartinsfontes. Pág. 185 a 210.